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Fotografia Alvão, Lda

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/CPF/ALV
Title type
Atribuído
Date range
1900-01-01 Date is uncertain to 1967-12-31 Date is uncertain
Prominent dates
Finais do séc. XIX- [Déc. de 60 do séc. XX]
Dimension and support
Dimensão: 1002 lv., 17 u.i (22145 doc. fotográficos), 109.371 doc. fotográficos, 35mm, 24x36mm,2,3x16,6cm,3x12cm,4x5,5cmm4,4x8,1cm,4,5x5cm,4,5x5,5cm,4x7cm, 4,5x10,5cm,4,7x9,6cm,4,8x3,7cm,5x7cm,5x8cm,5x9cm,5,1x3,9cm,5,3x4cm,5,4x4cm,5,5x4cm,6x4cm,6x4,5cm,6x6cm,6x7cm,6x8cm,6x9cm,6x6,5cm,6,5x6,5cm,6,5x8cm,6,5x9cm,6,5x12cm,6,5x24cm,5,5x8cm,7x9cm,7x12cm,7,5x4cm,7,5x7,5cm,5x7,9cm,7,5x8,8cm,7,5x11,5cm,7,5x15,5cm,7,7x5,4cm,7,8x5,2cm,8x5,5cm,8x10,3cm,8x10,5cm,8x11cm,8x11,1cm,8x12cm,8x12,6cm,8x13,2cm,8x21,
Biography or history
A casa de fotografia Alvão foi fundada e inaugurada por, Domingos Alvão, em 2 de Janeiro de 1902, na Rua de Santa Catarina, nº 120, na cidade do Porto.

A fotografia Alvão teve dois grandes mestres-fotógrafos, Domingos Alvão e Álvaro Cardoso Azevedo.

Em 1914 o Mestre Domingos Alvão entregou a Álvaro Azevedo a gerência da sua casa e em 1921, deu-lhe o direito de interessado na Fotografia Alvão e, no final de 1924, com 55 anos, Domingos Alvão fez o registo notarial da alteração da firma e passou a chamar-se Casa Alvão e Companhia, em sociedade com o seu discípulo e companheiro de trabalho desde 1906, Álvaro Cardoso de Azevedo. Em 1937 Álvaro Cardoso Azevedo torna-se o único proprietário, mantendo a sua propriedade até 1967, como Alvão & Cª, Sucessor. Nos últimos anos, dada a sua avançada idade e doença, Álvaro Azevedo dá sociedade ao seu fiel funcionário Fernandes, passando a empresa a chamar-se Fotografia Alvão - Azevedo & Fernandes, Lda, tendo sido vendida nos finais do anos 60, logo após a sua morte em 1969. A empresa continuou a laborar sob a égide do Fernandes pelo menos até 1972.



Domingos do Espírito Santo Alvão nasceu na freguesia da Lapa, no Porto, em 1869, e faleceu na mesma cidade em 1946. O pai de Domingos Alvão, Francisco Júlio Alvão, de Vila Real, era então barbeiro – será mais tarde funcionário das finanças. A mãe, Corina de Jesus Alvão, natural de Santo Ildefonso, da cidade do Porto. O fotógrafo teve como padrinho um capitalista da Rua dos Bragas, o comendador Domingos José Ramos de Faria, do qual herdou o primeiro nome.

Ainda muito novo foi trabalhar para a Casa Biel, já então na Rua do Bolhão, no palacete, onde estavam sempre hasteadas as duas bandeiras, a de Portugal e a da Alemanha. Depois de ter passado um breve período de estágio em Madrid, Domingos Alvão entrou, na viragem do século, como operador-gerente, para o também conhecido estabelecimento na Rua de Santa Catarina, nº120, do capitalista Leopoldo Cyrne, o Foto-Velo Clube e habituou os portuenses às suas fotografias de artistas, senhoras e homens da sociedade que captava no Teatro Príncipe Real ou nos salões do burgo, expondo-as nas vitrinas da Tabacaria Africana, ao cimo da Rua de 31 de Janeiro.

Domingos Alvão participou em 1901 na Exposição Internacional de Leipzig e em 1907 recebeu um Diploma de Mérito no Concurso Mundial de Fotografia Artística e Científica em Turim, Itália, que tinha o patrocínio da Princesa Maria Letícia de Sabóia. As imagens que Domingos Alvão enviou ao concurso em Leipzig e Turim faziam parte de uma recolha de cerca de 700 clichés a que ele dedicava parte do seu tempo; tratavam-se de fotografias sobre paisagens e costumes do Minho e Douro Litoral, encenadas de forma a corresponderem aos objectivos artísticos do pictorialismo. Com a série Quadros da Paisagem Artística e Costumes Portugueses, concorreu e expôs em mostras, no Porto, Lisboa, Panamá, etc., iniciando a sua enorme série de prémios nacionais e internacionais. As fotografias da Fotografia Alvão eram muitas vezes procuradas para representarem o país nas paredes das embaixadas no estrangeiro.

Domingos Alvão ganhou um Diploma de Honra e uma medalha de ouro na Exposição Nacional das Artes Gráficas, na Imprensa Nacional, em Lisboa, 1913. Em 1914 fez a sua primeira grande exposição, com cerca de 100 imagens. O êxito é tal que a repetiu em Lisboa, no Salão da Illustração Portugueza, d’ O Século, desta vez com cerca de 200 fotografias.

A Fotografia Alvão continuou a ganhar prémios, em 1915 o Grand Prix na Exposição do Panamá; a medalha de prata da Exposição de Artes Gráficas de Leipzig, na Exposição Nacional de Fotografia de Novembro/Dezembro de 1916, da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, promovida pela revista Arte Photographica, em 1917, Lisboa; na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em 1923 na Exposição Internacional de Centenário da Independência do Brasil, no Rio com fotografia colorida; em 1925 a medalha de ouro da Exposição Nacional de Fotografia, realizada nos Armazéns Grandela.

Colaborou com as revistas Illustração, Gazeta das Aldeias, Arte Photographica, Portugal, Revista Internacional Vida doméstica, Renascença, Stella, Panorama, Mundo Gráfico, HP, O Volante, Shell News, Portugal d’Aquém e Além Mar, Latina.

Foram publicadas imagens suas em colecções de postais, em álbuns das mesmas temáticas. Assim como fizeram parte de encomendas comerciais de empresas e particulares. No que diz respeito aos retratos, a sua casa fotográfica, era uma garantia para se obter uma boa fotografia.

Álvaro Cardoso de Azevedo, nasceu a 1894, no Porto. Órfão de mãe aos 4 anos e de pai aos 11. Foi então trabalhar, como aprendiz, com Domingos Alvão. Mantinham uma relação de mestre e discípulo, mas também de amizade. Permaneceu na Casa Alvão até 1920, ano em que partiu para o Brasil, Rio de Janeiro, com a sua esposa e filha. Voltou nove meses depois, a pedido de Domingos Alvão, que lhe assegurou a sociedade. Alvão sempre protelou a decisão até esse momento.

A Casa Alvão era contactada por diversas entidades para a realização de vários trabalhos fotográficos, como é o caso do Instituto do Vinho do Porto, que em 1933, solicitou os seus serviços para o levantamento geral do território do Douro, trabalhos relativos à produção, transporte, engarrafamento e exportação do Vinho do Porto. Na época surgiram ainda outras encomendas de grandes empresas como a Empresa Fabril do Norte, Empresa Industrial de Santo Tirso, Azevedo Soares e C.ª, entre outras, ou encomendas de Câmaras Municipais, Centrais Eléctricas, Hospitais, Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, etc., assinados pela casa Alvão & C.ª.

A casa Alvão e Companhia, em 1934 recebeu o levantamento fotográfico da 1.ª Exposição Colonial realizada no Palácio de Cristal, no Porto, na qual tinha um stand na Avenida das Tílias, temporariamente chamada Avenida da Índia. A casa Alvão e Companhia recebeu o Diploma de Cooperação, atribuído pelo ministro das Colónias, Armindo Monteiro e Henrique Galvão, comissário da exposição. A 5 de Outubro de 1935 o Presidente da República, General Carmona conferiu a Domingos Alvão, o grau de cavaleiro da Ordem Militar de Cristo. Alvão passou a usar a condecoração nas fotografias identitárias. Ainda no ano de 1935, receberam a medalha de ouro do III Salón de Fotografia Artística de Málaga, promovida pela Associación Libré de Artistas, com a fotografia Imagem de S. Francisco; ganhou idêntica medalha no certame de Málaga do ano seguinte, com Sentinela Adormecida. Concorreu também em 1936 à Exposição Nacional e Concurso de Fotografias, iniciativa d’O Século, e ganhou o 1º prémio com a imagem Paisagem da Lousã, o 2º com Convento dos Jerónimos e recebeu ainda uma menção honrosa pelo conjunto de imagens.

Os últimos trabalhos para o Governo do Estado Novo foram as fotografias feitas na grande iniciativa de propaganda do Estado Novo, a Exposição do Mundo Português, em 1940, em Lisboa.

Domingos Alvão, nos últimos anos de vida vivia na Areosa, na estrada da Circunvalação, com as filhas Coríntia Irene e Maria Virgínia, filhas do seu segundo casamento com Virgínia de Jesus Ribeiro, de Amarante, que morreu em 1943. Domingos Alvão tinha ainda outra filha, Lícia, do primeiro casamento com Isaura, de quem se divorciara muito cedo. Faleceu a 20 de Novembro de 1946, de cancro pulmonar, o que o obrigou a praticamente não sair de casa nos últimos meses de vida. Foi sepultado no cemitério da Lapa. Todos os jornais da cidade lhe dedicaram palavras de louvor.

Álvaro Cardoso de Azevedo a quem o Governo Português, no ano de 1943, concedeu o Grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, faleceu a 23 de novembro de 1967, com 73 anos de idade, após uma doença prolongada. Álvaro Azevedo manteve sempre a sua obra fotográfica associada ao nome Alvão.

Na casa Alvão, estes não foram os únicos colaboradores a trabalharem, alguns desses nomes são: João Alvão, colorista artístico, José Fernandes Mendes de Oliveira, Afonso Ribeiro, contabilista e Eduardo Lemos, estes com 32, 30 e 23 anos de casa respetivamente.

A casa Alvão continua hoje a funcionar no mesmo local, propriedade de Arnaldo Soares.
Custodial history
O espólio da Casa Alvão foi adquirido pelo Instituto Português do Património Cultural (IPPC), a Arnaldo Soares, em 1982, após 2 anos de negociações, que deram origem, em 1981, à abertura do processo de classificação. Ficou temporariamente depositado no Museu Nacional Soares dos Reis, para posterior tratamento e instalação em lugar adequado à sua conservação, estudo e divulgação. O I.P.P.C. foi por diversas vezes avisado pelo M. N. Soares dos Reis para a falta de condições em que se encontrava o espólio e para a necessidade premente de proceder ao seu tratamento e garantir a sua salvaguarda. Depois de várias diligências do Arquivo Nacional de Fotografia para a criação no local de condições de estabilização, o que se veio a verificar impossível, e acentuados os sintomas de degradação do referido espólio, decidiu o I.P.P.C. transferi-lo para o único serviço de fotografia que detinha - o A.N.F. onde podiam ser asseguradas a temperatura e humidade relativa apropriadas, bem como a existência de uma equipa técnica de conservação.

Deu entrada no A.N.F., em Lisboa, no dia 9 de Agosto de 1988. O seu estado geral de conservação era preocupante, tendo-se iniciado em Setembro os trabalhos de tratamento, que consistiram na separação por técnicas, formatos e suportes; diagnóstico e separação por estado de conservação, definindo prioridades de tratamento; levantamento temático geral; limpeza de poeiras e acondicionamento; limpeza de colas, fitas gomadas, acondicionamento apropriado para vidros partidos, etc. O tratamento individual das espécies foi progredindo regularmente ao longo dos anos. Com a extinção do Arquivo Nacional de Fotografia, foi o espólio transferido para o Arquivo de Fotografia do Porto, do Centro Português de Fotografia (CPF) e na sua dependência os Arquivos de Fotografia do Porto e de Lisboa (criado através do Decreto-Lei n.º 160/97 de 25 de Junho). Parte dos fundos custodiados pelo extinto Arquivo Nacional de Fotografia foram incorporados no CPF, sendo transferidos, em Setembro de 1997 do dito anexo do Palácio da Ajuda, para o Palacete de Vilar d’ Allen, na Rua de António Cardoso, n.º 175, local onde se instalou provisoriamente o Arquivo de Fotografia do Porto do CPF.

O espólio foi transferido em 3 fases, no ano de 1998. Na primeira fase foram entregues 36.180 espécies num total de 549 contentores, acompanhadas de fichas individuais ou levantamentos temáticos. Todas as espécies entregues beneficiaram de vários graus de tratamento. Numa segunda fase foram entregues 51.924 espécies assim como os contentores: 320+93 (que não foram transportados na 1ª fase), num total de 413 contentores. Numa última fase chegaram 137 contentores com 13.054 espécies, 17 livros de provas com 25.123 espécies, 8 caixas com 115 espécies: que totalizaram 38.292 espécies. Deram entrada, em conjunto com a documentação, equipamentos fotográficos. A transferência ficou concluída a 4 de Maio de 1998.

Em 2001 a documentação é totalmente transferida para a sede definitiva do CPF, sita no Edifício da Ex-Cadeia da Relação, no Campo dos Mártires da Pátria. O Decreto-Lei nº 93/2007, de 27 de Março e a Portaria nº 372/2007 de 30 de Março consagraram a dependência do CPF em relação à Direcção Geral de Arquivos (que sucedeu ao Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo).

O Centro Português de Fotografia tem vindo a fazer o tratamento físico e documental das espécies fotográficas. Foi feito um estudo sobre a Exposição Colonial de 1934, que deu origem a uma exposição e catálogo intitulado A Porta do Meio.
Acquisition information
Adquirido por compra em outubro de 1982, a Arnaldo Soares, atual proprietário da casa "Fotografia Alvão".
Scope and content
A documentação deste fundo compreende as imagens relativas a levantamentos da área vinhateira do Douro, fábricas, hidroeléctricas, barragens, hospitais, bairros económicos, exposições, inaugurações, congressos, personalidades, paisagens, usos e costumes, regiões, localidades portuguesas, monumentos, urbanismo, transportes terrestres, retratos de estúdio e de grupo.
Documental typology
Polaridade: negativos e positivos. Cor: p/b. Processo Fotográfico: gelatina e sais de prata.
Arrangement
Ordenação numérica sequencial.
Access restrictions
Documentação parcialmente acessível em cópia digital.
Conditions governing use
A reprodução de documentos encontra-se sujeita a algumas restrições tendo em conta o tipo dos documentos, o seu estado de conservação, o fim a que se destina a reprodução, às normas que regulam os direitos de propriedade e à legislação sobre os direitos de autor. A utilização da reprodução para efeitos de publicação está sujeita a autorização do dirigente máximo do CPF. O serviço informa, caso a caso, das opções disponíveis.
Language of the material
Português
Other finding aid
PORTUGAL. CENTRO PORTUGUÊS DE FOTOGRAFIA – Casa Alvão. [Base de dados em FileMaker Pro 6.0]. Elab. Sector Técnico. Porto: CPF, 2002. Disponível no Centro Português de Fotografia. Trata-se de um catálogo em que as imagens estão associadas.
Related material
Relação completiva: Portugal, Centro Português de Fotografia, existem 54 doc. fotográficos da Casa Alvão na Colecção Nacional de Fotografia. PT-CPF-CNF. Existe uma parte do fundo que se encontra na Foto Alvão, casa sediada na Rua de Santa Catarina, no Porto.
Publication notes
SIZA, Maria Tereza; SERÉN, Maria do Carmo – Tripé da Imagem - O Porto e os seus fotógrafos. [org.] Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, design Andrew Howard. Porto: Porto Editora, 2001. 336 p. ISBN 972-0-06269-X
PEREIRA, Albano da Silva - O Douro de Domingos Alvão. Trad. Alexandre Matos. [S.l. : s.n], 1995. 76, [6] p. ISBN 972-8338-10-4.
Távora, Fernando; Vieira, Joaquim - A Cidade do Porto na obra do fotógrafo Alvão - 1872-1946. 2ª ed. Porto: Fotografia Alvão, 1993.
CLETO, Joel - Porto de Leixões. Porto: Administração dos Portos do Douro e Leixões, 1998.
As Boas de Ouro da Fotografia Alvão, in Portugal d'aquém e d'além mar, 1952.
Creation date
25/07/2011 00:00:00
Last modification
20/09/2017 16:06:00
Record not reviewed.